domingo, 25 de setembro de 2011
Jequitinhonha: outros olhares
Esta foto faz parte do contexto de "Jequitinhonheneiridade", uma mistura entre jequitinhonhismo e mineiridade. Ela foi tirada nas escadarias da matriz de São Miguel, que serviam de palco para o show de Paulinho. Aqui, Paulinho, que fazia dupla com seu pai, Sinval, aparece ao fundo, interpretando sucessos de Fagner, Roberto Carlos, Paulinho Pedra Azul, entre outros. E em primeiro plano, aparece um cidadão que, sofrendo de dor amorosa e dor etílica, interpretava,veementemente, os sucessos que Paulinho cantava. As novelas mexicanas perderam um grande ator!
Jequitinhonha: outros olhares
Foto da partida entre a equipes do Argentino e do Santa Luzia, pelo campeonato jequitinhonhense de futebol. O jogo terminou com o resultado de 3 x 0 para a equipe do Argentino, que se classificou para a semifinal do campeonato, na qual enfrentará o Internacional.
Jequitinhonha: outros olhares
Foto do jogo Alvorada e Guarani, realizado no sábado, 24 de setembro, às 17:00 h, no estádio do Mineirinho. O Alvorada venceu o Guarani por 3 x 0 e se classificou para as semifinais do campeonato jequitinhonhense, na qual enfrentará o Náutico.
Jequitinhonha: outros olhares
Sábado, dia 24 de setembro, ocorreu, no bairro Unicampo, confraternização durante todo o dia, com direito a feijoada e muita conversa. A foto é do grupo de pagode Jequitisamba, que conta com a participação de ex-integrantes do grupo de pagode do Unicampo, grande sucesso em Jequitinhonha na década de 90.
sábado, 24 de setembro de 2011
Jequitinhonha: outros olhares
Ontem, dia 23 de setembro,enquanto tomava uma, comia uns lambaris fritos e ouvia, atenciosamente, no bar Lambari, em Jequitinhonha, os ensinamentos de tio Pedro e do Sr. Valdívio Gil de Souza, filósofo e antigo funcionário do DER, que ajudou, entres outras coisas, a construir a ponte de Almenara, em 1965, e a pavimentar as estradas do Vale, uma cena inusitada me chamou a atenção. Pelo fato da usina de Irapé ter perenizado as águas do rio Jequitinhonha, as praias do município, que antes ficavam à margem direita do rio, foram deslocadas para centro deste. Assim, o bronzeado e o futebol, agora,transformaram-se em verdadeiras peripécias. Aquele, só pode acontecer mediante o transporte de canoa e, este, só acontece quando os os jogadores se aventuram em atravessar o rio a nado. Triste realidade que a CEMIG ajudou a criar!
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Texto do mês de setembro da minha coluna no jornal Informativo, de Jequitinhonha
Jequitinhonha duzentos anos: três histórias de ousadia
A cidade de Jequitinhonha que, toponimicamente, recebeu também os nomes de Sétima Divisão Militar de São Miguel, Freguesia de São Miguel da Sétima Divisão e Vila de Jequitinhonha, completa, no dia 29 de setembro de 2011, duzentos anos de fundação, apesar de historiadores, como Leopoldo Pereira, defenderem que a fundação da cidade data do ano de 1804 e não 1811. Então, para comemorarmos essa data, resolvi destacar, neste mês, a história de três personagens que contribuíram, pela ousadia demonstrada, para que o município chegasse aos duzentos anos almejando um futuro cada vez melhor. O primeiro personagem que ressalto é o Alferes Julião Fernandes Leão. Ele combateu os espanhóis na guerra da colônia de Sacramento e recebeu da coroa portuguesa a missão de instalar a Sétima Divisão Militar de São Miguel para guarnecer o rio Jequitinhonha, já que a exploração do ouro e do diamante, no Arraial do Tijuco, estava em seu apogeu. Porém, a ousadia do Alferes Julião Fernandes Leão vai muito além da fundação do município de Jequitinhonha. Esse militar colaborou para a colonização de todo o Baixo Jequitinhonha sem se submeter à cobiça mercantilista e à frenética insurreição contra-reformista que tomavam conta do período colonial brasileiro. Assim, ao invés da força, o Alferes utilizou-se da benevolência para atrair, pacificar e proteger o silvícola, que o ajudou, imensamente, a concretizar a sua ousada proposta de colonização do Baixo Jequitinhonha: a de construir sem destruir.
O segundo personagem que enfatizo é Mário Martins da Silva, que fora prefeito de Jequitinhonha entre os anos de 1923 e 1926. Durante o período em que Mário Martins foi prefeito, o Brasil sofria uma crise de identidade republicana, marcada pela instabilidade financeira, política e social, e pelas rebeliões civis e militares. E o que fez o coronel Mário Martins nessa época turbulenta? Ousou. Ele apoiou, no ano de 1925, sem receio algum, a ideia “mirabolante” de um eletricista analfabeto, o Constantino, de construir uma barragem e uma turbina no córrego Santo Antônio que gerassem força e energia elétrica à cidade de Jequitinhonha. Na época, a população taxou Constantino de louco e ridicularizou Mário Martins. Mas, quando, no ano de 1925, o orador Dr. Arnaldo Carvalho anunciou a inauguração da obra e o padre Jaime Ferreira abençoou as instalações elétricas, e Jequitinhonha passou a ser o segundo município em todo o Vale a gerar eletricidade (No Vale, a eletricidade era conhecida somente em Diamantina), privilégio de metrópole afastada, o prefeito Mário Martins acabou provando com sua ousadia, que, “não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho e na ação-reflexão” (Paulo Freire). Infelizmente, a história de Sr. Constantino e a usina construída por ele (hoje, em ruínas) foram esquecidas pelo poder público, o que é uma pena, pois ambos poderiam ser melhor aproveitados para incentivar o turismo local.
O terceiro personagem que destaco é o atual prefeito, Roberto Alcântara Botelho. Após perder o distrito de São João da Vigia (Almenara), em 1938, o município de Jequitinhonha iniciou um forte período de estagnação política e econômica, tanto que fora, posteriormente, ultrapassado pelo seu antigo distrito, não em importância histórica, mas em tamanho e em relevância regional. O exemplo de ousadia dado por Alferes Julião Fernandes Leão e por Mário Martins da Silva fora esquecido a partir do governo de Joaquim Antônio Guimarães (1927-1930). O que se viu, então, foi uma sequência de más administrações e uma cidade desgovernada politicamente, que parecia viver sob eterno coronelato e republicanismo arcaico. Assim, a República Velha, só fora enterrada politicamente na cidade de Jequitinhonha no século XXI, precisamente, em 2005, ano em que o prefeito Roberto Botelho assumiu o governo municipal. Em entrevista a edição especial do jornal Geraes, Inô, de Minas Novas, diz que “Nós já enterramos todos os coronéis do Vale”. Em Jequitinhonha, não foi preciso enterrar os coronéis, pois todos sofreram da eutanásia da quebradeira. Foi preciso enterrar, metaforicamente, o sistema político atrasado que eles instauraram aqui e que parecia não ter fim. Teve. E teve graças à ousadia e ao novo jeito de administrar implantado por Roberto Botelho. Ele conseguiu enterrar o coronelismo político e inaugurar um modelo de administração ousado, moderno e arrojado, muito semelhante aos implementados por Alferes Julião Fernandes Leão e por Mário Martins. Hoje, existe uma cidade projetada para o futuro e projetos e programas maravilhosos que devem ser mantidos e aperfeiçoados, como o Centro Viva Vida, na área da saúde; como o CREAS (Centro de Referência Especializado da Assistência Social), CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e CAPS (Centro de Atenção Pisicossocial), na área da assistência social; e a implantação do acervo municipal, na área da cultura. No entanto, preocupo-me com a troca da secretária de Assistência Social, uma vez que a nova secretária é inexperiente e há dúvidas se ela terá competência para manter a boa gestão da Assistência Social municipal. E preocupo-me, redundantemente, ainda, com a área da educação. As instituições, e encaro a educação como uma instituição, não podem ter a esperança de seguir o conselho do Príncipe de “O Leopardo”, de Lampedusa, que aconselha aos seus pares: “mudem tudo, mas apenas o suficiente para manter tudo exatamente como está”.
A educação em Jequitinhonha parece que seguiu os conselhos do Príncipe, mantendo tudo como está ou estava antes. Construir escolas ou reformá-las é tímido demais. E oferecer transporte aos estudantes, é obrigação. Portanto, o que falta ao município é um projeto para a educação. E isso tem a ver com a valorização dos profissionais nela envolvidos, plano de carreira, qualidade de ensino, pesquisas e, sobretudo, a busca incessante por cursos técnicos e superiores de qualidade. Jequitinhonha já sai perdendo em qualquer disputa pelo fato de Almenara ser a cidade polo da região. Mas, um projeto bem elaborado pode suprir quaisquer carências. Não podemos esquecer que nosso município é o mais centralizado da região e da relevância histórica que ele possui. A Unimontes e a UFJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri) estão de portas abertas a projetos, o que falta é ousar. Paulo Freire afirma que “a educação sozinha não transforma uma sociedade, mas sem ela tampouco a sociedade muda”. O prefeito Roberto Botelho conseguiu o que era até pouco tempo inacreditável: transformar a cidade de Jequitinhonha. Agora, é hora de mudar a sociedade jequitinhonhense. O site soujequi.com traz, na sua página inicial, uma interessante pergunta: “o que de Jequitinhonha você gostaria de guardar para os próximos duzentos anos? Certamente, eu gostaria de guardar a ousadia de homens como Julião Fernandes Leão, Mário Martins e Roberto Botelho. E, como, infelizmente, os princípios democráticos não permitem a Roberto Botelho um novo mandato para que ele possa começar essa transformação da sociedade jequitinhonhense pela educação a partir do próximo mandato, queria desejar também, que o próximo prefeito, seja ele quem for, tenha um carinho especial com a educação do município e que tenha uma secretaria de educação que ouse. Que ouse sem pestanejar. Só assim nossa cidade estará preparada para mais duzentos anos de história. E só assim continuará sendo a cidade onde o poder do lugar é mais forte do que qualquer pensamento.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Texto do mês de agosto na minha coluna no jornal Informativo, de Jequitinhonha
Segundo o historiador Luís Santiago, os dois primeiros jornais publicados no Vale do Jequitinhonha foram “A Estrela Polar”, criado em 1902, e “Pão de Santo Antônio” (que teve o nome mudado para Voz de Diamantina), criado em 1906, em Diamantina. Ambos periódicos eram vinculados a entidades católicas. Infelizmente, as pesquisas sobre o Vale do Jequitinhonha se restringem a repetitivos e cansativos trabalhos acerca da oralidade, do artesanato e de algumas patologias apresentadas pela população da nossa terra, o que dificulta qualquer pretensão de análise precisa sobre a história da região. Provavelmente, devem existir jornais anteriores aos mencionados por mim, sobretudo, no Serro, município que, em 1700, deu origem a todo o Vale do Jequitinhonha. Porém, os pesquisadores que estudam o Vale continuam a se comportar muito mais como turistas, admiradores do fortuito e do exótico, esquecendo-se de que o compromisso do pesquisador é com o trabalho acadêmico de qualidade e não com um longo e prazeroso período de férias.
No Baixo Jequitinhonha, a criação dos jornais é quase paralela a Revolução de 30. Em entrevista ao Jornal Geraes, de setembro de 1978, o escritor José de Cortês Duarte afirma que o primeiro jornal surgido nessa região foi “O Indígena”, de Jequitinhonha, seguido de “O Vigia”, de Almenara, e de “A Voz do Norte”, de Pedra Azul. Não temos informações sobre os fundadores de “O Indígena” e tampouco sobre a data de sua fundação. Possivelmente, o jornal deve ser anterior ao ano de 1930. O jornal “O Vigia” (atualmente, O Vigia do Vale) fora fundado em junho de 1930 por Olindo Miranda de Souza. Na época, atuaram como colaboradores o próprio José de Cortês, o padre Manoel do Padro e o médico Ponciano. Geralmente, os jornais publicados na década de trinta apreciavam a retórica barroca ou o tom panfletário e o discurso cívico e de massas. No entanto, “O Vigia” se diferencia dos jornais dessa década por trabalhar, politicamente, para a emancipação de Almenara, que ainda era distrito de Jequitinhonha. A emancipação foi conseguida somente em doze de janeiro de 1938 e “O Vigia” teve fundamental importância para que esta ocorresse.
Na cidade de Pedra Azul, antes da publicação do periódico “A Voz do Norte”, foi criado “O Sertão”, em fevereiro de 1931, pelo professor Josias Moreira. Esse jornal foi mantido pela Prefeitura, no governo de Antero Ruas. Em junho de 1936, também na cidade de Pedra azul, fora criado o jornal “A Voz do Norte” por Sátiro de Almeida. Outros periódicos relevantes para o início do jornalismo no Vale foram “O Arassuahy”, fundado em 1938, na cidade de Araçuaí, e “O Reivindicador”, fundado em outubro de 1930, em Salinas, por Clemente Medrado. Apesar de todos os jornais mencionados terem contribuído significativamente para os primeiros passos do jornalismo no Vale, creio que o periódico que, sem dúvida, consolidou o jornalismo na nossa região foi o jornal Geraes. Ele circulou, inconstantemente, entre os anos de 1978 e 1985 e teve vinte e três edições, sendo a última em julho de 1985. A redação desse jornal funcionava na rua Jaime Gomes, 155, no bairro Floresta, em Belo Horizonte e sua impressão era realizada também na capital mineira pela gráfica Ratanguera. O Geraes circulava em todo o Vale do Jequitinhonha e seus objetivos eram retratar a realidade do Vale e discutir os problemas desta região. Além destes objetivos bem traçados no editorial da primeira edição, de março de 1978, o Geraes ajudou a fundar diversas entidades culturais, tais como CCVJ (Centro Cultural do Vale do Jequitinhonha), o MCPJ (Movimento de Cultura Popular do Jequitinhonha), o CCAVJ (Centro Cultural e Artístico do Vale do Jequitinhonha, fusão do CCVJ com o MCPJ), e a criar, a organizar e a divulgar um dos maiores festivais de cultura brasileiros, o FESTIVALE. Porém, julgo que a maior contribuição do Geraes foi para a literatura do Vale, uma vez que divulgou em suas páginas poesias e contos de autores valejequitinhonhenses e promoveu o I concurso de Poesias e Contos da região, em 1978, divulgando as poesias premiadas neste concurso na edição de número cinco, de janeiro/fevereiro de 1979. Outra imprescindível contribuição do Geraes para a literatura e, especificamente, para a poesia do Vale foi o apoio que deu aos livros Jequitinhonha “Antologia Poética” e “Jequitinhonha Antologia Poética II”, publicados, respectivamente, em 1982 e 1985, e ao livro “Arreunião”, coletânea com 66 poetas do Vale, publicada em 1984.
Contemporaneamente, destaco a fundação do jornal Informativo, de Jequitinhonha, em 25 de agosto de 2001 por Alessandro Xavier e Dirceu Pereira. Este jornal, um dos mais jovens do Vale do Jequitinhonha, completará dez anos este mês e creio que temos muito o que comemorar. A cidade de Jequitinhonha, que teve o primeiro jornal do Baixo Jequitinhonha, ficou durante décadas sem nenhum veículo de comunicação impresso. O jornal Informativo veio para preencher essa lacuna e, hoje, consegue levar reportagens, opinião e informação não só aos Jequitinhonhenses naturais da cidade de Jequitinhonha, mas também a grande parte da população do Baixo Jequitinhonha, respeitando os princípios do conhecimento, da disseminação da aprendizagem em massa e da notícia ensinados pelo alemão Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, “inventor” da imprensa, no século XV. Claro que o Informativo ainda precisa melhorar em alguns pontos e há a consciência disto. Mas, há quase uma década este jornal era apenas um sonho. Agora, ele é uma realidade consolidada. Assim, como colaborador orgulhoso e, antes de tudo, como amigo dos inúmeros leitores deste jornal, sei que o trabalho e a busca pela qualidade nunca cessarão. Por isso, gostaria de agradecer aos leitores pelo carinho, pelo respeito, pelas conversas e pelas opiniões tão gentis sobre a minha coluna. Gostaria de agradecer também ao Alessandro pela oportunidade que me dá com este espaço e pela liberdade para escrever e “escrever-me”. Isso, definitivamente, não tem preço. Acredito que tudo isso junto fazem do jornal Informativo o algo novo e diferenciado no jornalismo do Vale. E tenho a certeza de que esse jornal, com a ajuda de todos vocês, conseguiu entrar para a história do jornalismo do Vale do Jequitinhonha e fará parte, daqui para frente, de qualquer trabalho que ouse a estudar o jornalismo no Vale.
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